Cirurgia de Menisco

Tratamento e Recuperação

Qual o tratamento das lesões dos meniscos?

Como falado antes, a escolha do tratamento depende muito do tipo de rotura do menisco:

  • Lesão do menisco aguda ou por torção: geralmente ocorre em pessoas mais ativas. Os sintomas são dor forte no joelho, inchaço e estalos. A pessoa pode sentir o joelho travar, ou seja, perder o movimento completo. Em geral, essas lesões dos meniscos  tendem a ser maiores e instáveis.  Como exemplo, existem as lesões em “alça de balde” do menisco que são muito instáveis (ou seja, “mexem” muito dentro do joelho). Por isso, causam muita dor e poder levar ao bloqueio do movimento do joelho. Para esses tipos de lesões costuma ser necessário cirurgia.
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  • Lesões degenerativas dos meniscos: ocorrem por impacto ou esforço repetitivo, sem ter tido trauma ou entorse. Nesse tipo de lesão, a pessoa começa a sentir uma dor leve que vai aumentando aos poucos. Por isso, é um tipo de ruptura do menisco que tem relação com a idade. Ou seja, quanto maior a idade da pessoa, mais “enfraquecidos” estão os meniscos. Por isso, numa “virada” leve do joelho (às vezes não percebido pelo paciente), pode haver essa lesão. Nesse caso, a preferência de tratamento é através da fisioterapia e fortalecimento muscular.

Em resumo, em relação ao tratamento dos meniscos...

Em resumo, indicamos o tratamento conservador (sem cirurgia) para:

  1. Lesões degenerativas dos meniscos (descrito acima).
  2. Lesões por trauma ou torção, pequenas e estáveis (ou seja, que não causam muitos sintomas).

Nesse caso, indicamos o tratamento conservador (sem cirurgia) com fisioterapia e fortalecimento muscular. Caso a dor esteja persistente, podemos indicar infiltração do joelho com corticoide para melhora dos sintomas. 

Por outro lado, indicamos cirurgia para:

  1. Lesões após trauma ou torção do joelho, grandes ou instáveis. Por exemplo, as lesões em “alça de balde” do menisco ou lesões com “flap” do menisco (pedaço do menisco rompido pinçando no joelho).
  2. Ou quando há falha do tratamento conservador. Ou seja, aquele paciente que faz fisioterapia por vários meses, mas continua com dor, estalos e inchaço. 

Nesse vídeo do meu canal do Youtube, eu falo um pouco mais sobre a importância dos meniscos e as opções de tratamento. 

Quais os tipos de cirurgias para lesões dos meniscos?

A cirurgia para ruptura do menisco é a Artroscopia do Joelho que é uma cirurgia minimamente invasiva feita por vídeo. Nessa cirurgia, realizamos dois portais (pequenos acessos cirúrgicos) dentro dos quais entramos com uma câmera e instrumentos que utilizamos para palpar por dentro do joelho.

Dessa forma, a câmera joga a imagem de dentro do joelho para um monitor de vídeo que fica ao lado do cirurgião de joelho (como se fosse um videogame). Se rompido o Ligamento Cruzado Anterior e/ou outro ligamento, realizamos as cirurgias do menisco e do ligamento no mesmo tempo.

Frequentemente, os procedimentos que mais realizamos são a sutura para reparo do menisco e a meniscectomia parcial.

Meniscectomia parcial (remoção parcial do menisco)

Por fim, no caso de não ser possível preservar o menisco, aquela parte do menisco rompida é removida. Nesse caso, fazemos um procedimento que se chama meniscectomia parcial. Mesmo nesse caso, preferimos tentar preservar o máximo possível do tecido meniscal, removendo o estritamente necessário. É muito importante preservar (dentro do possível) o menisco. Isso porque os meniscos funcionam como uma espécie de um amortecedor e protetor do joelho. Sendo assim, retirar os menisco na cirurgia pode aumentar as chances de desenvolver Artrose do joelho em longo prazo, geralmente após 10-15 anos. 

Caso queira saber mais sobre a importância de se preservar os meniscos, assista a esse vídeo do meu Canal do Youtube. Espero que gostem.

Reparo com preservação do menisco

Primeiramente, a sutura com reparo do menisco é o procedimento mais moderno e a tendência mais atual de tratamento das lesões do menisco. Isso porque, através dele é possível preservar os meniscos e aumentar a longevidade do joelho no médio e longo prazo. Sendo assim, fazemos o reparo do menisco através de pontos na área lesionada de maneira que preservamos o menisco. Em outras palavras, podemos dizer que o reparo do menisco é fazer uma “costura” da região rompida para que ela possa cicatrizar. Com isso, evitamos que o paciente perca essa estrutura tão importante que é o menisco para nossos joelhos. 

Porém, nem sempre é possível fazer a sutura, principalmente quando o menisco rompeu há muito tempo. Isso porque, o tecido do menisco fica em más condições para ser preservada e por isso não cicatriza. Nesse caso, a chance do reparo do menisco “pegar” é menor e muitas vezes é preferível optar por outro tipo de tratamento, como veremos a seguir.

Como é o pós-operatório desses procedimentos?

O pós-operatório da cirurgia do menisco vai ser diferente a depender do tipo de cirurgia que realizamos (reparo do menisco ou retirada parcial do menisco). Sempre é bom lembrar que todo o processo de recuperação deve ser acompanhado por uma boa fisioterapia.

Em primeiro lugar, após o reparo do menisco, usamos um imobilizador do joelho por 4 semanas. Além disso, é necessário evitar carga com apoio parcial do peso com muletas para proteger o reparo do menisco. Ou seja, pode pisar na ponta do pé, mas sem descarregar o peso do corpo. Liberamos o fortalecimento muscular logo após a cirurgia.  Por fim, liberamos carga e movimentação total no joelho operado após 4-6 semanas. 

Já após a cirurgia de remoção do menisco, podemos liberar de imediato a carga com apoio total do peso. Além disso, liberamos o paciente para movimentar o joelho logo de início após a cirurgia e fortalecimento muscular sem restrições.

Finalmente, o retorno total as atividades é permitido quando os músculos em volta do joelho estiverem bem recuperados e a movimentação do joelho está completa e sem dor.